segunda-feira, 9 de setembro de 2013

'Nunca torci tanto por um time como pelo Bahia', afirma Carlos Rátis

Atualizado em

Interventor comemora dever cumprido e revela que sindicância será aberta para saber quem revelou ao ex-presidente o extrato bancário do clube

Quando ele foi nomeado interventor do Bahia pela Justiça, a primeira questão levantada pelos torcedores era qual o time de coração do mineiro radicado na Bahia. Alguns defendiam a tese de que Carlos Rátis era rubro-negro de coração, mas o próprio veio a público para revelar a paixão pelo Atlético-MG. No entanto, os 90 dias no comando do Tricolor, com a missão de convocar eleições diretas, transformaram o advogado.
Carlos Rátis (Foto: Raphael Carneiro) 
Carlos Rátis foi abordado por diversos torcedores neste sábado, na Fonte
Ovacionado pelos torcedores por onde anda, parado para tirar fotos e distribuir autógrafos, elevado à categoria de ídolo em um clube sedento por novos ícones, Rátis não poderia passar isento. Com a missão cumprida de realizar a primeira eleição direta da história do Bahia, o advogado cantou um hino como um torcedor que vai à Fonte Nova desde pequeno. E não escondeu:
- Foi inevitável ter me transformado em um torcedor do Bahia. Hoje eu digo que nunca torci tanto por um time quanto torço hoje pelo Bahia – afirmou o interventor ao GLOBOESPORTE.COM.
Rátis vive, a partir deste domingo, os últimos momentos no cargo. Desde o dia 7 de julho, quando foi nomeado interventor, o advogado lutou contra as tentativas do ex-presidente Marcelo Guimarães Filho de voltar ao cargo, batalhou para quitar os débitos e pagar os salários na agremiação, sofreu para resolver problemas administrativos sem funcionários, que preferiram abandonar o trabalho a ajudar a intervenção. Dois meses depois, Carlos Rátis terá que reunir tudo o que fez para passar um relatório ao novo presidente.


Carlos Rátis, interventor do Bahia (Foto: Eric Luis Carvalho) 
Com status de ídolo, Carlos Rátis é ovacionado e
canta hino do clube
A prestação de contas, como o próprio interventor gosta de falar, será iniciada na terça-feira. A posse do presidente será na noite de segunda, na Arena Fonte Nova. A previsão é de que o relatório esteja completo na mão do novo mandatário tricolor somente no final da semana.
- Vamos marcar um horário com o dirigente para externar os gastos e todas as nossas ações. Isso deve levar uns dois dias, até porque não posso passar tudo de forma atropelada – disse Rátis.
O interventor chegou a ser cogitado para algum cargo na nova direção do Bahia. Entretanto, ele faz questão de garantir que não pretende mais continuar na vida político-administrativa do Tricolor.
- Não pretendo entrar no clube. Acho que não cabe a mim. Minha participação era fazer a intervenção e não me aproveitar desta situação – explicou.
Investigações serão reveladas
Os últimos passos de Carlos Rátis como interventor estarão relacionados diretamente ao ex-presidente Marcelo Guimarães Filho. Nesta segunda-feira, o advogado vai protocolar ao processo da intervenção o relatório da auditoria solicitado pela Justiça. No dia seguinte, o processo deverá ser publicado na internet.
O advogado não quis antecipar à reportagem as irregularidades apontadas pela auditoria. Entretanto, pessoas que tiveram acesso ao documento afirmam que a lista de ações suspeitas é grande e com prejuízos incontáveis ao próprio Bahia.
Além da auditoria, Rátis também finalizará uma investigação para saber quem revelou ao ex-presidente o extrato bancário do clube, que foi divulgado por Marcelo Guimarães Filho para comprovar os pagamentos feitos pelo Flamengo em relação à negociação de Gabriel.
- Recebi do banco na sexta-feira um ofício com o IP do computador que acessou a conta. Vamos abrir uma sindicância para que o usuário seja identificado e saber por que foi encaminhado sem a nossa autorização – prometeu.

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