Segundo o autor da proposta, deputado federal Silas Câmara, a profissão está em crescimento no Brasil e o Amazonas possui cerca de 60 mil operadores de marketing multinível
Mais de 800 pessoas participaram da audiência pública na Câmara de Deputados que discutiu o marketing multinível
Impressionado
com a mobilização de mais 800 pessoas participantes de uma audiência
pública, na Câmara dos Deputados, no mês passado, para discutir os rumos
e a legalidade da atividade chamada marketing multinível, confundida na
maioria das vezes com a “pirâmide financeira”, o deputado federal Silas
Câmara (PSD-AM) decidiu apresentar um projeto de lei que regulamenta a
profissão de operador de marketing multinível no Brasil. Segundo ele,
atuam na área de venda e formação de rede multiplicadora, em todo o
País, cerca de 1,5 milhão de pessoas.
“Somente
no Estado do Amazonas, são 60 mil operadores de marketing multinível e
no Estado do Acre – onde a empresa Telexfree foi denunciada pelo
Ministério Público e a atividade suspensa – eles chegam a 100 mil.
Portando, essa atividade que tem crescido no Brasil, tem leis
desencontradas em termos de proteção àqueles que têm o seu ganho de vida
principal e em relação àqueles que de uma forma ou de outra são
consumidores dos produtos e serviços oferecidos por esses operadores”,
argumenta Silas Câmara.
Na
opinião do parlamentar, cresce o anseio da população por uma legislação
específica que possa nortear as relações comerciais entre os operadores
e as empresas que eles representam, formando uma parceria comercial. O
parlamentar também alega que os consumidores destes produtos ou serviços
necessitam de um amparo legal para se proteger contra eventuais danos
causados por operadores e empresas de marketing multinível. “Esses 1,5
milhão de pessoas são trabalhadores e precisam de uma legislação que os
ampare e os tire da marginalidade ou discriminação com que são
tratados”, afirmou.
O
deputado Silas Câmara afirmou que o projeto de lei de autoria dele, que
está tramitando na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e tem como
relator o deputado Marcos Rogério (PDT-RO), não trata da atividade,
pois, mesmo estando convencido de que é legal “ela é mais complexa e
precisa de critérios objetivos para realizar sua regulamentação”.
Ao
explicar as diferenças entre marketing multinível e a pirâmide
financeira, Silas Câmara diz que a primeira é uma atividade comercial
como outra qualquer, exercida por meio de redes sociais onde se vende
algum produto e alguém sai ganhando dinheiro com esse trabalho. “O
operador precisa conquistar a sua freguesia e aí ele monta um grupo de
seguidores que compra o produto e vende à sua rede. É como se fosse uma
cooperativa onde o lucro de tudo o que é vendido, tirando os custos de
operação, é dividido entre todos”. Já a pirâmide financeira, segundo
ele, é ilegal porque não tem sustentação e lesa o consumidor. Tem uma
base muito grande de pessoas colaborando para poucos terem lucro. Quem
está na parte de cima da cadeia leva quase tudo e quem está embaixo tem
pouco lucro. “Como diz o Ministério Público, o dinheiro circula somente
dentro dela, enquanto no marketing multinível todo mundo trabalha em
rede”, disse.
Promotores suspendem operações
Em
junho deste ano, as Promotorias de Defesa do Consumidor e de Direitos
Humanos do Ministério Público do Acre (MPE-AC) suspendeu a
comercialização e a adesão de novos integrantes, os chamados
divulgadores, da empresa Ympactus Comercial Ltda, a Telexfree.
A
juíza da 2ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco, Thaís Khalil, também
proibiu a empresa de efetuar pagamentos aos divulgadores já cadastrados
até a conclusão do julgamento da ação. A acusação é de que a empresa
exerce práticas de pirâmide financeira.
A
promotora de Justiça do Estado, Nicole Arnoldi, destacou que, mesmo
alegando ser de marketing multinível, a Telexfree mascara as
comercializações e prejudica milhares pessoas. Pelo método adotado, para
se cadastrar, os pretensos divulgadores precisam investir para garantir
a adesão. A prática é considerada ilegal, de acordo a Associação
Brasileira de Empresas de Vendas Diretas.
Saiba mais
Cerca
de 3 mil operadores de marketing multinível vão se reunir em Manaus, no
dia 3 de outubro, no Ducila Buffet. A categoria discutirá os rumos da
atividade e dará sugestões sobre os critérios que devem nortear a
profissão no Brasil, a partir do projeto de lei do deputado Silas
Câmara. Também será apresentado e debatido o projeto de lei que
regulamenta a atividade econômica. Essa proposta será apresentada ao
presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, no dia 25 de setembro.







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