terça-feira, 29 de outubro de 2013

OGX, de Eike Batista, não chega a acordo com credores

Atualizado em 29/10/2013 - 08:03

Prazo para acordo acaba nesta semana. Empresa pode declarar maior calote de dívida de uma companhia da América Latina ou pedir recuperação judicial

Eike Batista, CEO do Grupo EBX, durante cerimônia em comemoração do início da produção de petróleo da OGX, de Batista e gás da empresa, no Complexo Industrial do Superporto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro
Eike Batista, CEO do Grupo EBX, durante cerimônia em comemoração do início da produção de petróleo da OGX, de Batista e gás da empresa, no Complexo Industrial do Superporto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro (Ricardo Moraes/Reuters)
Terminou sem acordo as negociações entre a petroleira OGX, de Eike Batista, e os detentores de bônus com vencimentos em 2018 e 2022, segundo comunicado divulgado pela empresa na madrugada desta terça-feira. Isso significa que a petroleira não conseguiu um acordo para reestruturar a dívida de 3,6 bilhões de dólares. O prazo para entendimento termina nesta semana. Caso o calote se confirme, este será o maior default de dívida de uma empresa da América Latina. Em 1º de outubro, a empresa deveria pagar 45 milhões de dólares em juros aos detentores dos títulos mas não honrou o compromisso. Antes de ser declarada inadimplente, contudo, a OGX pode entrar com um pedido de recuperação judicial – o que o mercado considera mais provável neste momento do que a falência.
Fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters afirmam que a empresa se prepara para entrar com pedido de recuperação judicial a partir desta terça-feira. Representantes da OGX não estavam disponíveis para comentar o fato. A coluna Radar, de Lauro Jardim, informa nesta terça-feira que o “dia D” da empresa de Eike não será hoje, mas que não passa desta semana.
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Os campos de exploração da OGX se mostraram sobreavaliados. Primeiro, Tubarão Azul, que era o principal deles, deixará de produzir em 2014 e será devolvido ao estado, devido à sua baixa capacidade de exploração. No final de setembro, o campo de Tubarão Martelo também desapontou: sua capacidade, atualmente, é de um terço da estimativa inicial.
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Uma das fontes ouvidas pela Reuters disse na segunda-feira que a OGX planeja excluir do pedido de recuperação judicial sua unidade de gás natural OGX Maranhão, que estruturou um acordo com a E-ON, controladora da Eneva, ex-MPX Energia, para os bancos credores poderem vender a ela as ações que detêm da petroleira de Eike.  O acordo prevê que, em caso de inadimplência da OGX Holding, a Eneva terá a opção de comprar, por 200 milhões de reais, 66,7% das ações emitidas pela OGX-M.
Se confirmado, o processo de recuperação judicial da OGX será o maior da história de uma empresa latino-americana, segundo dados da Thomson Reuters. O pedido não seria só um indicativo do tamanho da queda de Eike, mas também forneceria um duro teste à lei de recuperação judicial do Brasil, aprovada há oito anos, sobre se ela oferece a proteção adequada aos credores. As ações da OGX terminaram a segunda-feira estáveis na Bovespa, cotadas a 0,29 real.

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